Como entrar na Coreia do Norte

Para um estrangeiro existem algumas maneiras de entrar na Coreia do Norte.
Oficial uma, fácil nenhuma. Para um coreano não existe entrada nem saída.

Povo na fronteira

Apesar do país asiático contar com uma embaixada no Brasil, não conheço nenhum caso dos poucos brasileiros que viajaram até lá terem conseguido o visto pelo Brasil.
Fica claro que o objetivo da missão diplomática no Brasil é cuidar dos interesses da RDPC em nosso território e países próximos, com grande ênfase para as questões comerciais e geopolíticas, deixando o turismo em último plano. É bom lembrar que o Brasil também possui relações comerciais ativas e embaixada no país asiático, com uma política exterior bem independente em relação aos EUA.

Caso você ainda queira tentar, seguem os contatos, mas eu alerto, te levarão em panos quentes e não te concederão um visto:

Embaixada da Coreia do Norte no Brasil
SHIS QI 25, conj. 10 – casa 11 – Lago Sul – Brasília – Distrito Federal 
Telefone: (0xx61) 3367-1940
Fonte: http://consulados.com.br/coreiadonorte/

 

As outras vias

Letreiro - Onde está o K27?

Letreiro – Onde está o K27?

Você não pode atravessar a fronteira pela Coréia do Sul que é a zona mais militarizada do planeta, sendo assim a única via é através da China, pela cidade fronteiriça de Dandong.

Para chegar até Dandong peguei um vôo de São Paulo até Beijing e então, assim que cheguei, tomei o trem K27.
Este basicamente é o trem que vai até a Coreia do Norte, mas faz-se necessária a parada na cidade da fronteira para acertar os seus papeis ou mesmo atravessar da maneira que você se propõe a fazer, seja ela qual for.

 

Fixer, Agência, Consulado, Clandestino

Em Dandong você estará muito perto da Coreia do Norte e poderá colocar em prática a opção escolhida para a travessia, que, obviamente, você já escolheu e tem um plano B.
Eu não vou nem comentar a opção de se aventurar de modo totalmente clandestino. As penas variam de trabalhos forçados cavando buracos oito horas por dia a qualquer outra pena aleatória, a depender da sua nacionalidade.

Você pode tentar o consulado norte coreano em Dandong. A história será a mesma que a versão brasileira. Vão cozinhar o galo. As agências são mais caras, porém algumas são profissionais e conhecem todos os meandros da intrincada burocracia governamental, tem gente muito séria que trabalha com isso. Recomendo a Lupine Travel.
Vejo relatos positivos da Koryo Tours.

A última opção é encontrar um guia local. Conheci um cara bacana que atende pela alcunha de Brooklyn. Basicamente ele facilita sua documentação com o governo, “ajudando alguns burocratas a te ajudarem” e te “injeta” no trem K 27, o mesmo que você veio, mas desta vez, mais a fundo, rumando para a Coreia do Norte.

Partindo

Estação DandongO K 27 parte da estação de Dandong, antes é feito o procedimento de saída do país por parte da China e os seus passaportes são apreendidos. Após cruzar a ponte para o lado coreano o trem para e o silêncio invade a cabine, além da tensão. É hora de trocar a nova locomotiva chinesa por uma moribunda norte coreana, mas também a temida inspeção de bagagem. Até pouco tempo atrás celulares eram apreendidos nesta inspeção, assim como câmeras de objetivas maiores. Ainda assim, pessoas podem ser chamadas a prestarem depoimentos isoladamente e é importante atentar para ítens ilegais no país (bandeiras americanas, bíblia, pornografia, GPS e etc).

É de bom gosto dividir cigarro com os policiais de aduana, Marlboro, vermelho de preferência americano, o meu era chinês e não fez muito sucesso. Se não fuma, finja, e divida. É símbolo de virilidade na sociedade deles.
Se você for mulher ofereça maquiagem para as oficiais, se for homem mantenha contato respeitoso.

Isolados

 

Quadro revolucionário no campo

Quadro revolucionário no campo


O comboio percorre o país em baixa velocidade. Distante dos 120 Km/h no lado chinês. Aqui os trilhos são gastos, os dormentes velhos, faltam parafusos de fixação e a rede aérea de alimentação dos trens pede socorro. Ao atravessar a fronteira poderosos bloqueadores de sinal de celular nos isolam do mundo. A velocidade média aferida pelo meu GPS do celular foi de 32 Km/h, a vista da janela é de uma país predominantemente rural, e de um povo sofrido pela pobreza sol e fome.

Quando finalmente chegamos em Pyongyang, uma cidade grande se insinua, com arquitetura soviética única, diferente de todo aquele campo e plantações de arroz, plantadas e colhidas com mãos humanas.

Pyongyang

Pyongyang

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