O menino que fuma

Estava eu fazendo o meu produtivo passeio de feriadão. Era um shopping. E não era o mais próximo de casa, claro. Saí do restaurante com umas na cabeça (cocas) e fui no mercado, para não comprar nada, por hábito.  

De longe era possível ouvir um segurança do tal mercado a pé de ter um AVC gritando com um garoto, não entendi bem a razão, mas estava claro que ele não deixaria o pobre diabo entrar. Chinelo rasgado, camisa branca suja, cabelo crespo e pele parda, uns 12 anos. Claro, fui até o tal segurança já ensaiando mentalmente o texto:

– Qual o problema ? [eu]

– Esse ladrãozinho quer entrar no mercado! [segurança]

Se a resposta fosse nesta linha, então eu continuaria (se não fosse o plano já teria falhado miseravelmente)

– Chamou a polícia? Onde está a prova de que ele roubou? Bem, se não chamou é óbvio que ele não está roubando nada.

O diálogo prossegue inflamado e cada vez mais autista…

– E tem mais, ele vai entrar comigo. Duvido que me impeça de entrar! Aí alguém chamará a polícia!

Pois bem. Quando estava chegando perto dos dois brigões notei que a criança fumava um cigarro de Itú e polidamente dizia ao segurança: – Faz o seu corre que eu faço o meu maluco.

Menino que fuma

Menino que fuma

Como meu sentimento social não é tão aflorado (é, ciências sociais não rolou), dei aquela disfarçada básica, peguei o telefone, liguei para minha mãe, contei a história com ar de anedota e rimos um bocado (por minha conta).

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